Decisões...
Estávamos todos sentados ao redor de uma mesa
prata, os bancos estofados de vermelho. Eu olhava
a garota de cabelos azuis enquanto ela sorria para
um aparelho celular que segurava nas mãos em
frente ao rosto. Seu semblante estava tão confiante
e encantador, que provavelmente considerei
que poderia estar teclando com quem ela realmente
estava gostando.
prata, os bancos estofados de vermelho. Eu olhava
a garota de cabelos azuis enquanto ela sorria para
um aparelho celular que segurava nas mãos em
frente ao rosto. Seu semblante estava tão confiante
e encantador, que provavelmente considerei
que poderia estar teclando com quem ela realmente
estava gostando.

O rapaz a minha direita ficava ereto como se algo tivesse o incomodando de todos os modos. Presumi que fosse a minha presença do lado esquerdo, talvez ele não quisesse tentar me incomodar com um braço tocando de repente perto dos meus. Éramos sete sentados na mesa, um deles me chamava à atenção.
Não sabia se os meus olhos somente quisessem notar ele ali pela ordem do meu coração, ou se por simplesmente estarmos entre amigos e Richard fosse apenas um rapaz qualquer que fizesse parte dos meus amigos. Mas a questão não era essa. Por que não consegui tocar nele assim que cheguei? Por que a vontade imensa de olhar nos olhos dele quando fosse embora, e de uma hora para outra, eu implorar para que ficasse?
As teorias já me ajudaram a tomar a decisão certa, mas ontem voltei atrás. Apenas por um instante, só por um instante pensei que eu não fosse mais sentir nada por ninguém, que eu não pudesse errar mais por ninguém. Porém as minhas certezas quase recuaram quando me lembrei do sonho da quinta-feira. Lembrar-me de quando me senti segura.
Nunca pensei que o olhar de uma pessoa pudesse evitar que eu desistisse do que sempre tentei evitar sentir a minha vida toda, a amar. A intensidade com a qual aquele olhar me invadira me carregou para um devaneio de lembranças das quais tentei esquecer a uns meses atrás.
Mas de repente fora o sinal para esclarecer, de que eu estava fazendo tudo novamente, ou pelo menos o fato ali ocorrendo queria que eu fizesse tudo novamente. Cometer o mesmo erro de antes.
Foi quando me afastei. Vi-me a beira de um precipício em pensar que Richard estaria a minha frente tocando as mãos frias em meu rosto.
Soube que eu poderia pular e morrer, mas algo estava me impedindo de tentar não cair. Por tudo a perder.
_Esse é um fator que sega as pessoas. – disse seriamente. _Você não faz bem a ninguém. Por que quando eu o vi nos sonhos, você tentava mostrar que podia ser bom para mim?
Richard deu um passo à frente e sorriu com a ponta dos lábios.
A minha mente era o precipício, então não ousei pular no rio para ver como aquilo tudo iria acabar. Decidi ficar e esperar para ver no que tudo ia dar. Se pelo menos sairia um sol depois daquela chuva que era como estava ficando meus pensamentos naqueles segundos.
_Poliana, você quer ver as coisas boas onde não tem. – disse a voz amarga e próxima de Richard. _Pare de querer mudar o que não se pode. Pare de querer se interessar pelas pessoas erradas, quando você tem uma vida toda pela frente e pode muito bem esperar a certa.
Recuei. Desistir de tentar, esta sendo como ver um assassino enfiar uma faca no coração de quem você ama. Você sabe que pode impedi-lo, mas prefere vê-lo morrer.
Era noite e estávamos na montanha. O casaco preto de Richard estava gelado como o vento que nos cercava constantemente. O capuz me impedia de ver seu rosto, porém os lábios eram os únicos que podiam preencher uma pequena parte de minha visão. O resto, a silhueta, onde estávamos tudo pude enxergar. Mas nada naquele momento fazia parte das minhas noites perfeitas.
As perfeitas ficaram marcadas somente naqueles dias e noites os quais, se perderam no final de outono no por do sol. Tudo era apagado e se ia com a escuridão que chegava sempre a todo segundo no final do crepúsculo. Depois disso, as memórias levavam tudo consigo para bem longe da minha vida. Tudo o que vi até um certo ponto, iria se apagar nos papeis.
Só queria que o meu eu entendesse, que depois daqueles sonhos reconfortantes com as pessoas que me faziam bem, estavam acabando. Depois, eles iriam aparecer com mais frequência, só que, porém, seriam tristes e não mais seguros. A partir daquele instante, minha mente não ia mais seguir as ordens do meu coração. Eu tinha que esquecer quem eu realmente amava.
Por que afinal de contas, para mim a palavra Persistência tem um limite para cada qual caso. O meu, já estava acabando a partir do momento em que percebi que nada dos meus esforços valeria a pena. Por que às vezes, o que pensamos ser melhor para nós em certas ocasiões, na verdade não é. Então se sabe que nada do que acontece, é em vão. Se for para ser será, e se não for, não persista.
O que é seu tem que ser seu independente de suas escolhas. Sejam elas boas, ou ruins.
Então depois de uma longa pausa ao observar tudo a cena ao meu redor, percebi que era um sonho. Um sonho do qual eu o comandava. Então assim que deixei o capuz de Richard cair para trás e eu poder ver finalmente seu rosto, um sorriso nos meus lábios apareceu. Sim, descobri que a tanto tempo, eu sabia realmente que era ele a pessoa que eu amava.
Mas por mais que eu desejasse que ele fosse meu, não pude tomar a decisão naquele instante, por que soube que era um sonho. Então logo a ilusão como tal é falsa, ela nos trará consequências, mas somente se aceita-la a deixar fazer parte de sua vida.
Mas afinal de contas, não me permiti ter uma vida teórica, da qual eu a escrevesse. E sim, daquela a qual eu pudesse fazer realmente parte e vivencia-la, experimentá-la.
Então sentindo a respiração de Richard perto do meu rosto, permiti aos meus pés que dessem um passo a frente. Por uma fração de cinco segundos, tive o prazer de encostar meus lábios frios nos dele, e não recuando, ele tocou as mãos em meu rosto e retribuiu.
Forçada a sair do sonho, permiti que minha mente afastasse aquele devaneio de fatos. Eu vi Richard se afastar e toda a imagem que por um tempo criei e planejei com tanto carinho, deixei com que as gotas da chuva agora gelada, levassem as recordações consigo para longe de mim. Então, fechei os olhos com força.
Com a respiração equilibrada, acordei com a cabeça em um travesseiro e o corpo repousando em cima do colchão. Ali estava a minha vida real. Só percebi que era real, quando no mesmo instante por uma brecha no pouco da janela do quarto aberto, eu pude ver o reflexo do sol naquela manhã de segunda-feira. Por que até nos dias difíceis e de longa chuva, sempre soube que haveria um sol atrás das possibilidades de tentar algo novo. "
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