Sonho mais que real.
Com uma trança embutida chegando até os ombros. O cabelo castanho escuro porém enrolado de uma garota, estava visível olhando-a por trás. Podia-se dizer que ela seria uma jovem comum, mas ao vê-la se virando para olhar a mim, aqueles profundos castanhos escuros que eram seus olhos, pareciam coisas de outro mundo.
Atrás, de seu corpo coberto por um sobretudo azul escuro, estava a estante de madeira rústica que ela sempre, em horários da tarde, contemplava durante horas. Pois dali, a jovem a todo instante, retirava suas literaturas favoritas. Desde os livros de grande grossura, até os pequenos gibis.
Relembrando-me na memória, ela me contara com palavras românticas e nostálgicas, da saudade que tinha sobre um jovem rapaz. Ela porém, se sentia um pouco magoada pelo rapaz não estar sempre presente ao lado dela. Mas a jovem garota morena, mesmo assim se preocupava com a ausência do rapaz ao lado dela.
Estou, ainda refletindo, porém também vendo, que a tal jovem, por mais que ouvisse minhas palavras e conselhos atentamente, parecia demonstrar-me uma expressão suave e calma, mas que entretanto, não podia se quer esconder de mim, um toque da preocupação e saudades, que ainda sentia pelo rapaz. Mas conforme ela se aproximava mais até me envolver num abraço, seus lábios formaram em segundos, um aconchegante e delicado sorriso.
Em seguida, quando assim toquei seus cabelos escuros que roçavam o meu queixo pela aproximação do abraço, saímos daquela antiga loja de esquina, logo depois que acabamos de passar num caixa e uma mulher de cabelos ruivos lhe entregara a sacola preta com duas literaturas. Dentre delas, romance e suspense. Dois ótimos gêneros que ela adorava sempre levar consigo.
Quando assim chegamos ao parque, dentro de um jardim de campo que sempre íamos, eu fui o primeiro a me sentar no banco de madeira que parecia mesmo desde então, reservados para nós dois. Porém, algo me chamou a atenção.
A jovem morena que sempre ansiosa estava para se sentar e começar a folhear seus livros novos, naquele momento, ela simplesmente parou um pouco perto, em frente aquele lago enorme, e colocou as mãos no bolso morno de seu sobretudo, e em segundos, a jovem começou a pensar.
Eu lhe dei como reflexão, o silêncio. Ela, parecia navega naquele enredo que sempre tirava a sua atenção. A própria vida.
A jovem sorria calma para si mesma, quando em segundos, ela tentava se aconchegar mais entre suas roupas de frio. Enquanto aquele vento de inverno, passeava sobre nós.
_O que esta acontecendo comigo? - perguntou a voz daquela tal jovem, que de repente se virou e olhou para mim.
_Esta se referindo enquanto aos livros?Ou enquanto a sua mente?
_Sim. Enquanto a minha mente. Eu não me sinto como antes. Parece que me falta alguma coisa... - parou a jovem de dizer.
_Não acho, que não lhe falta nada. - disse eu. _Você já tem tudo.
_Como tenho tudo? - perguntou a jovem.
_Você tem tudo de que precisa, mas ainda não encontrou isso, dentro de você mesma. Dentro do seu coração, minha jovem.
_Me ensine a encontrar então aquilo que tenho. E acrescentar mais ainda, tudo que tem para eu aprender.
A jovem sorriu. Eu a acompanhei no ritmo do humor, e logo me levantei e em segundos, quando vi ela se aproximando, lhe estendi a mão.
_Sim, mas lembre-se: Te ensinarei tudo que sei, em seu devido tempo. Lhe darei concelhos, sempre que precisar. Lhe servirei ajuda, sempre que me pedir com fé. Sempre lhe darei respostas sábias e simples para as suas perguntas. Sempre e com abundancia, lhe retribuirei carinho e afeto. - disse. _Pois mesmo você não me vendo com os olhos humanos, sempre acreditou em mim. Pois sempre quando precisou de conselhos , você mesmo não me vendo, veio humildemente e de coração aberto, me procurar. Então lhe digo minha jovem morena: Felizes daqueles que acreditam em mim, sem ver. Porque delas, serão o reino dos céus.
_Mas senhor. Eu pequei. Eu tenho dúvidas. Eu questiono. Eu erro. - lamentou a jovem.
_Não te preocupais com tais atos. Eu mesmo assim a amo. Eu, pai da misericórdia a perdoo, assim como o pai perdoa um filho. E acima de tudo, eu sempre lhe amarei até o ultimo dia de sua morte. Lhe amarei eternamente, como a mãe ama um filho. Porque, você faz e sempre fará, parte do meu coração.

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